OXALIDACEAE

Oxalis hedysarifolia Raddi

Como citar:

Luiz Antonio Ferreira dos Santos Filho; Tainan Messina. 2012. Oxalis hedysarifolia (OXALIDACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

LC

EOO:

2.706.354,435 Km2

AOO:

132,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Detalhes:

Ocorre no Paraguai e Bolívia (Fiaschi; Conceição, 2005), no Brasil, nos estados do Pará, Rondônia, Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina (Abreu; Fiaschi, 2012); até 1000m de altitude (Abreu, 2007).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2012
Avaliador: Luiz Antonio Ferreira dos Santos Filho
Revisor: Tainan Messina
Categoria: LC
Justificativa:

?<i>Oxalis hedysarifolia </i>caracteriza-se por ervas, subarbustos ou arbustos, terrícolas. Nãoendêmica do Brasil. Ocorre da região norte a sul do país, não estando ameaçadano contexto nacional. Apresenta ampla extensão de ocorrência, e ocorre em amplafaixa altitudinal, variando do nível do mar até 1000m de altitude. Presente emtrês domínios fitogeográficos, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, neste últimoocorre em Floresta Ombrófila Densa, Floresta Estacional Semidecidual, formaçõescampestres e restinga. Protegida por Unidades de Conservação. Bem representadaem coleções científicas, inclusive por coletas recentes. Não atribui valorcomercial.

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em Mem. Soc. Ital. Sci. Moderna 18(2): 401. 1820. Facilmente reconhecida pelos folíolos trulados com nervuras pouco evidentes, ramos tomentosos e cápsulas globoso-elipsóides com 3 sementes. Conhecida como "Trevo azedo" no estado de Pernambuco (Abreu, 2007).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido

População:

Flutuação extrema: Sim

Ecologia:

Biomas: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica
Fitofisionomia: Espécie ocorre em floresta ombrófila densa, floresta estacional semidecidual e formações campestres (Abreu; Fiaschi, 2012); em Cerrado (lato sensu), floresta ciliar e/ou de galeria (Abreu; Fiaschi, 2012); em orla de mata e campos úmidos (Fiaschi; Conceição, 2005); em florestas montanas, úmidas, na borda ou no interior de mata, e restingas (Abreu, 2007).
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland, 1.9 Subtropical/Tropical Moist Montane, 3 Shrubland, 3.6 Subtropical/Tropical Moist, 3.7 Subtropical/Tropical High Altitude, 4 Grassland, 4.7 Subtropical/Tropical High Altitude, 4.5 Subtropical/Tropical Dry Lowland, 3.5 Subtropical/Tropical Dry
Detalhes: Caracteriza-se por ervas, arbustos ou subarbustos, eretos, terrícolas, podendo atingir entre 0,3-1,2m de altura; floresce e frutifica o ano inteiro (Abreu; Fiaschi, 2012; Fiaschi; Conceição, 2005; Abreu, 2007).

Ameaças (3):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1 Habitat Loss/Degradation (human induced)
Mais de 25 milhões de pessoas, aproximadamente 15% da população do Brasil, vivem na Caatinga. A população rural é extremamente pobre e os longos períodos de seca diminuem ainda mais a produtividade da região, aumentando o sofrimento da população. A atividade humana não sustentável, como a agricultura de corte e queima que converte, anualmente, remanescentes de vegetação em culturas de ciclo curto além do corte de madeira para lenha, a caça de animais e a contínua remoção da vegetação para a criação de bovinos e caprinos tem levado ao empobrecimento ambiental, em larga escala, da Caatinga. Os bovinos e caprinos foram introduzidos pelos europeus no início do século XVI e rapidamente devastaram a vegetação da Caatinga, não adaptada à pastagem intensiva. O número estimado de cabeças desses animais, atualmente, é de mais de 10 milhões e já são reconhecidos núcleos de desertificação associados ao sobrepastejo e, principalmente, ao pisoteio dos mesmos. Desde o início da colonização européia, as áreas de solos mais produtivos também foram convertidas em pastagens e culturas agrícolas. As florestas de galeria foram largamente substituídas por formações abertas nos últimos 500 anos, afetando o regime de chuvas local e regional e levando ao assoreamento de córregos e até mesmo de grandes rios. Rios anteriormente navegáveis, que permitiam o transporte de animais e madeira do interior do país, estão, agora, sazonalmente secos. Por fim, as técnicas de irrigação desenvolvidas nas últimas décadas para a fruticultura e plantações de soja têm acelerado o processo de desertificação. Todos esses usos inapropriados do solo têm causado sérios danos ambientais, p. ex., a desertificação já atinge 15% da área da região e ameaçado a biodiversidade da Caatinga (Leal et al., 2005).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Agriculture
A degradação do solo e dos ecossistemas nativos e a dispersão de espécies exóticas são as maiores e mais amplas ameaças à biodiversidade. A partir de um manejo deficiente do solo, a erosão pode ser alta: em plantios convencionais de soja, a perda da camada superficial do solo é, em média, de 25ton/ha/ano. Aproximadamente 45.000km2 do Cerrado correspondem a áreas abandonadas, onde a erosão pode ser tão elevada quanto a perda de 130ton/ha/ano. O amplo uso de gramíneas africanas para a formação de pastagens é prejudicial à biodiversidade, aos ciclos de queimadas e à capacidade produtiva dos ecossistemas. Para a formação das pastagens, os cerrados são inicialmente limpos e queimados e, então, semeados com gramíneas africanas, como Andropogon gayanusKunth., Brachiaria brizantha (Hochst. ex. A. Rich) Stapf, B. decumbens Stapf,Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf e Melinis minutiflora Beauv. (molassa ou capim-gordura). Metade das pastagens plantadas (cerca de 250.000km2 - uma área equivalente ao estado de São Paulo) está degradada e sustenta poucas cabeças de gado em virtude da reduzida cobertura de plantas, invasão de espécies não palatáveis e cupinzeiros (Klink; Machado, 2005).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1 Habitat Loss/Degradation (human induced)
A Mata Atlântica já perdeu mais de 93% de sua área e menos de 100.000 km² de vegetação remanesce. Algumas áreas de endemismo, como Pernambuco, agora possuem menos de 5% de sua floresta original. Dez porcento da cobertura florestal remanescente foi perdida entre 1989 e 2000 apenas, apesar de investimentos consideráveis em vigilância e proteção. Antes cobrindo áreas enormes, as florestas remanescentes foram reduzidas a vários arquipélagos de fragmentos florestais muito pequenos, bastante separados entre si. As matas do nordeste já estavam em grande parte devastadas (criação de gado e exploração de madeira mandada para a Europa) no século XVI. As causas imediatas da perda de habitat: a sobrexplotação dos recursos florestais por populações humanas (madeira, frutos, lenha, caça) e a exploração da terra para uso humano (pastos, agricultura e silvicultura). Subsídios do governo brasileiro aceleraram a expansão da agricultura e estimularam a superprodução agrícola (açúcar, café e soja). A derrubada de florestas foi especialmente severa nas últimas três décadas; 11.650km2 de florestas foram perdidos nos últimos 15 anos (284 km² por dia). Em adição à incessante perda de hábitat, as matas remanescentes continuam a ser degradadas pela extração de lenha, exploração madeireira ilegal, coleta de plantas e produtos vegetais e invasão por espécies exóticas (Tabarelli et al., 2005).

Ações de conservação (2):

Ação Situação
4.4.3 Management
Ocorre em Unidades de Conservação: Floresta Nacional do Araripe, no estado do Ceará e Parque Estadual de Jacupiranga, em São Paulo (CNCFlora, 2012).
Ação Situação
1.2.1.3 Sub-national level
Espécie considerada Vulnerável (VU) pela Lista vermelha da flora de São Paulo (SMA-SP, 2004).